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Early adopters da Sustentabilidade 4.0 e o futuro da Indústria 5.0

18 de ago.
6 min de leitura

Você já ouviu falar na Teoria da Difusão de Inovações, desenvolvida por Everett Rogers?

O autor analisa como novas ideias e tecnologias se disseminam ao longo do tempo em uma sociedade e classifica os indivíduos, de acordo com o momento em que adotam uma inovação, em inovadores (innovators), adotantes iniciais (early adopters), maioria inicial (early majority), maioria tardia (late majority) e retardatários (laggards).


Tenho pensado bastante sobre isso nos últimos dias porque comecei a perceber uma grande diferença na aceitação e compreensão da Sustentabilidade 4.0 entre a primeira edição, lançada em 2019, e esta nova edição, lançada em 2026. E não me refiro apenas ao livro, porque evidentemente o conteúdo amadureceu nesses sete anos, mas sim às pessoas que estão do outro lado da interlocução, seja na plateia, nos contratos ou na simples leitura.


Em 2019, quando lancei a primeira edição de Sustentabilidade 4.0, ela ainda era bastante teórica, porém já apontava na direção de uma nova sustentabilidade a partir de uma reflexão que permanece central no meu trabalho: como reconectar pessoas, cidades e negócios ao verdadeiro conceito de sustentabilidade, inspirado na inteligência da natureza, reduzindo o antagonismo existente entre respeito à natureza e desenvolvimento econômico.


Foi a partir do aprofundamento em pesquisas biomiméticas que dois universos aparentemente antagônicos começaram a se fundir: de um lado, uma sociedade essencialmente dependente da indústria, da tecnologia e da inovação e, de outro, a necessidade cada vez mais evidente de compreender os limites ecológicos dessa mesma sociedade. Em vez de reforçar o antagonismo histórico entre os interesses econômicos da indústria e os interesses ambientais da sociedade, comecei a investigar as possibilidades de convergência entre eles a partir de múltiplas inteligências.


Assim surgiu a Sustentabilidade 4.0, inicialmente como uma proposta de integração entre um mundo essencialmente dependente da indústria e a possibilidade de tornar essa indústria efetivamente sustentável, não apenas reduzindo impactos, mas aprendendo com os sistemas que sustentam a vida.


Confesso que, nas palestras que realizei entre 2021 e 2024, o gasto energético para explicar essa ideia era gigantesco, porque sustentabilidade ainda era associada quase automaticamente à reciclagem, à gestão de resíduos ou a práticas ambientais pontuais, e eu definitivamente não estava falando sobre isso. Antes de apresentar a proposta, muitas vezes era necessário desconstruir uma série de entendimentos já consolidados sobre o próprio conceito de sustentabilidade. Mas, do final de 2024 para os dias atuais, comecei a perceber uma mudança.


A exemplo do que aconteceu recentemente durante o lançamento da nova edição de Sustentabilidade 4.0 no Congresso Apodi de Sustentabilidade e ESG, tenho encontrado não apenas pessoas interessadas em ouvir algo novo, mas sim pessoas preparadas para compreender e saber como aplicar essa lógica. Ou seja, a Sustentabilidade 4.0 deixa de ser teoria futurista para se apresentar como uma possibilidade prática.


E é aqui que a teoria da difusão da inovação me parece especialmente interessante. Os chamados early adopters não são simplesmente pessoas que gostam de novidades, mas sim aqueles que conseguem reconhecer o valor de uma inovação antes que ela tenha sido incorporada pela maioria. Isso significa que uma ideia pode permanecer durante anos aparentemente restrita a poucos interlocutores e, em determinado momento, começar a encontrar um ambiente muito mais receptivo à sua adoção. E é essa mudança que tenho percebido.


Há, evidentemente, um amadurecimento da minha própria pesquisa. O que em 2019 era predominantemente teórico evoluiu para um framework que hoje utilizo em aplicações concretas. Entretanto, existe também uma mudança do outro lado: as pessoas estão mais preparadas para compreender que a natureza não é simplesmente um conjunto de recursos naturais disponíveis para utilização humana, mas sim uma inteligência e uma tecnologia.


Os casos de consultoria e aplicação prática que tenho realizado por meio da Beeosfera reforçam essa percepção porque demonstram que essa abordagem pode gerar soluções para problemas extremamente distintos, desde a otimização de processos e o desenvolvimento de novos produtos até modelos de gestão de pessoas e projetos de regeneração ambiental de lagoas, dentre diversas outras aplicações. Não se trata, portanto, de aplicar uma solução da natureza a um determinado setor, mas de aprender a investigar as estratégias desenvolvidas pelos sistemas vivos e utilizá-las como fonte de inteligência para problemas humanos.


Foi também a aplicação prática que permitiu à Sustentabilidade 4.0 avançar de uma formulação conceitual para um framework que hoje integra dez dimensões da realidade humana: indivíduo, saúde, educação, comunicação, ordenamento jurídico, economia, negócios, governos, cidades e inovação. Essa amplitude decorre da compreensão da sustentabilidade como uma qualidade sistêmica que deve ser reaprendida e desenvolvida, e não como uma Agenda ou um conjunto isolado de práticas ambientais.


Mas se a Sustentabilidade 4.0 amadureceu nesses sete anos e hoje encontra pessoas mais preparadas para compreendê-la, há outro elemento importante nessa equação: o próprio contexto industrial e tecnológico também mudou.


Em 2019, quando publiquei a primeira edição, muitas das transformações associadas à Indústria 4.0 ainda eram discutidas como possibilidades. Hoje, a inteligência artificial, a integração de sistemas, a automação e a capacidade de processar enormes quantidades de dados em tempo real fazem parte da realidade e ampliaram de maneira exponencial nossa capacidade de intervir no mundo.


Essa extraordinária capacidade tecnológica, no entanto, foi construída sobre desafios que nunca chegamos a resolver. A poluição associada à Primeira Revolução Industrial não foi integralmente enfrentada, o consumo e o desperdício intensificados pela produção em massa continuam crescendo e as emissões e mudanças climáticas permanecem entre os grandes desafios contemporâneos. Sobre esse acúmulo, a Indústria 4.0 acrescenta novas questões, entre elas a substituição de funções humanas pela automação e o crescente consumo de energia e água necessário para sustentar a infraestrutura digital e a inteligência artificial.


Ao mesmo tempo em que os limites da Indústria 4.0 se tornam mais evidentes, começa a ganhar forma a discussão sobre a Indústria 5.0, incorporando de maneira mais explícita elementos como centralidade humana, resiliência e sustentabilidade. Isso representa uma mudança importante porque a discussão deixa de estar concentrada apenas no que a tecnologia é capaz de fazer e passa a incorporar uma questão anterior e muito mais complexa: a partir de quais princípios queremos orientar aquilo que somos tecnologicamente capazes de fazer?


Essa mudança no próprio paradigma industrial ajuda também a compreender por que uma discussão que encontrava tanta resistência alguns anos atrás começa agora a encontrar seus early adopters. Se em 2019 falar em natureza como inteligência e tecnologia parecia distante da realidade industrial, o cenário que começa a se formar em torno da Indústria 5.0 abre espaço para discutir quais inteligências deverão orientar a próxima geração de sistemas produtivos, tecnológicos e decisórios.


Foi percorrendo novamente essa trajetória durante a escrita da nova edição do livro que uma constatação se tornou particularmente importante: não nos faltavam tecnologia, dados ou acordos internacionais; o que faltava era uma inteligência “de outra natureza” (com o perdão do aparente trocadilho), uma que não precisasse ser programada para reconhecer limites porque já os carrega em sua própria lógica de funcionamento.


É nessa convergência que venho posicionando a Sustentabilidade 4.0, ou seja, sem qualquer oposição à inteligência artificial, à industrialização ou ao avanço tecnológico, mas com uma proposta de mudança da base conceitual que orienta esses sistemas.


A proposta, portanto, passa pela integração entre inteligência artificial, inteligência humana, inteligência natural e inteligência ancestral, sem romantizar a natureza nem imaginar que sistemas biológicos possam simplesmente ser transpostos para sistemas industriais, reconhecendo que existe uma lógica operacional na vida que merece ocupar um lugar muito mais relevante na forma como projetamos tecnologias, empresas, cidades e sistemas de decisão.


É a partir dessa lógica que a Sustentabilidade 4.0 pode se inserir no contexto da Indústria 5.0. Se essa proposta funcionar como foi concebida, poderá cumprir sua função de deixar de ser um conjunto de práticas acrescentadas à indústria e passar a constituir uma base capaz de orientar sistemas produtivos, tecnológicos, econômicos e institucionais desde sua concepção.


Sete anos depois da primeira edição, o que mais me chama atenção não é apenas perceber o quanto essa discussão avançou, mas constatar que ela já não causa o mesmo estranhamento de antes. A tecnologia avançou, o framework amadureceu e as conversas que tenho encontrado fora da academia e dentro das empresas mostram que já existe um público preparado para compreender a natureza não apenas como aquilo que precisamos preservar, mas como uma inteligência capaz de participar da construção dos sistemas que ainda iremos criar.


Se Rogers estiver certo, isso também significa que não precisamos esperar que todos estejam preparados ao mesmo tempo. Toda inovação começa a se difundir entre aqueles capazes de compreendê-la antes que ela se torne evidente para a maioria. E é possível que seja com essas pessoas que a transição para uma Indústria 5.0 já tenha começado.


A nova edição de Sustentabilidade 4.0: reconexão, inovação e inteligência ancestral regenerativa aprofunda essa discussão e apresenta o framework desenvolvido ao longo desses sete anos.


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Sustentabilidade 4.0

 

A Sustentabilidade 4.0 propõe uma nova abordagem para integrar estratégia, inovação e inteligência da natureza na tomada de decisão de organizações e territórios.

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